A NOTA FUNDAMENTAL Reflexão pessoal · 30 de setembro de 2026 Em determinado ponto da vida, começamos a perceber que algumas coisas se repetem. Talvez realmente não exista nada de novo debaixo do Sol. Às vezes, eu olho para tudo isso como um grande campo harmônico: escalas, notas, oitavas… estruturas diferentes que, no fundo, continuam obedecendo a determinados padrões. Eu não sou o melhor produtor musical do mundo. Mas compreendo notas, oitavas, campos harmônicos e, principalmente, aprendi a escutar. Em um instrumento de cordas, quando avançamos pelas oitavas, o som se torna mais agudo. As posições continuam obedecendo à mesma lógica, mas tudo parece ficar mais apertado, mais sensível, mais difícil de executar com precisão. E é exatamente assim que eu enxergo o momento em que estamos. Hoje, para mim, estamos em F2. E preciso contar uma coisa: a cada oitava que subimos, aumenta a claridade. Aumenta o controle. Aumenta a exposição. Aumenta a capacidade de enxergar o erro. E, consequentemente, aumenta também o julgamento. Podemos continuar subindo. Podemos chegar até SOL. Mas aí existe uma ironia que eu não consigo ignorar. Eu sou um galo. E o galo canta anunciando a chegada do SOL. Não estou dizendo que o mundo vai acabar. Não estou anunciando catástrofe. Não estou dizendo que conheço o futuro. Estou dizendo apenas que existe outro caminho. Nós não precisamos continuar subindo indefinidamente apenas para provar que conseguimos. Não precisamos chegar ao SOL para provar que somos inteligentes. Às vezes, inteligência também é reconhecer um limite. Porque existe um ponto em que aquilo que criamos pode se tornar tão artificial, tão perfeitamente controlado e tão assustadoramente vazio, que talvez reste apenas a aparência da luz. Sombras queimadas diante do SOL. E, mais uma vez, o homem poderá olhar para aquilo que construiu e imaginar que se tornou Deus. Eu não quero tocar essa nota. Como vocês sabem, sou DJ. Mas talvez eu seja um DJ um pouco diferente. Durante meus 30 anos, aprendi que um DJ não precisa apenas escolher músicas. Ele precisa ler a pista. Perceber quando aumentar. Quando diminuir. Quando segurar. Quando mudar a direção. E, muitas vezes, encontrar novamente a nota fundamental. É isso que estou tentando fazer agora. Para aqueles que desejam continuar avançando: continuem. A vida é de vocês. Mas compreendam uma coisa: o SOL vai nascer. Vocês só não precisam chegar até ele para provar que são inteligentes. Aceitem o limite. Não um limite imposto por mim. Um limite que vocês mesmos precisarão escolher. Eu não consigo salvar ninguém. Cada pessoa é responsável pela própria vida, pelas próprias escolhas e, inevitavelmente, pelas consequências dessas escolhas. Quanto a mim… Eu vou dar Ré novamente. Mas não tenham Dó de mim. Eu sou músico. É uma escolha minha. E quanto a Deus? Eu acredito na existência desse cara. Não sou Jesus. Não sou santo. Muito menos perfeito. Só acredito na Luz que me ilumina. Ninguém é obrigado a me seguir. Não acreditem em mim simplesmente porque eu disse. Olhem. Escutem. Pensem. E analisem tudo por vocês mesmos. Eu nasci no dia 15/10/1995. Para mim, um dia muito especial. Talvez algumas questões apenas mudem de contexto. Mude o cenário. Mude a época. Mudem os personagens. Mas, no fim… a equação continua sendo a mesma. UMA OBSERVAÇÃO DO AUTOR O Sol não é o problema: é ele que nos ilumina. Mas não deixem de usar filtro solar, o bom e velho chapéu. E, para aqueles que quiserem continuar caminhando embaixo do Sol, vale considerar uma segunda pele! Eu não comemoro Natal nem Ano-Novo. Nasci em 01/10/1995 e fui registrado em 15/10/1995. Ambos os dias dizem muito sobre mim e são especiais, mas não gosto de comemorar. Deus é o Senhor